Esse pode ser o meu décima ou quinquagésimo texto sobre a solidão, mas infelizmente não posso fazer nada, se a cada época me atordoa e me corrói sem nem ao menos avisar. A partir disso, sou obrigada a escrever toda vez que ela chega ao meu limite e esse texto é só mais um. Creio que possam surgir outros ano que vem, quem sabe?!
Semana passada na terapia a discussão foi sobre a solidão. E é claro, eu disse tudo o que eu penso dela e o que ela já fez e faz comigo. Ela é mais complexa do que pensam, muito mais do que sentir-se sozinho, muito mais do que sentir-se só por questões de segundos ou minutos. Ela se torna complexa quando é insistente, quando é longa, quando leva à morte, mas que nao é meu caso. Comigo ela é mais rasa, mas ao mesmo tempo que é rasa, é forte. É como se fosse um mar raso, mas que suas ondas fossem fortes o suficiente para derrubar qualquer coisa. Quando ela vem, não me perdoa, nunca perdoa! Nem nos meus dias dramáticos de tpm - mas aí ja é outra coisa, porque nunca sei se estou me sentindo realmente só ou se é só a tpm pra atrapalhar ou ajudar. Mas quando a tpm nem tá perto de chegar ou não esta presente, me atinge do mesmo modo e na mesma intensidade.
Ultimamente só estou levando decepções. Uma pior que a outra. A pior foi a de ontem (mas prefiro falar em outro texto). As únicas duas pessoas que eu tanto conversava, não converso mais e nem quero. E então, a solidão ficou de vez. Ninguém pra conversar, ninguém pra contar novidades, besteiras, falar sobre voce, nem pra sair, nem pra brincar, nem nada. Parece que estou voltando na fase da adolescência. Era um ciclo vicioso sem fim e então eu procurava uma fuga: escrever. Hoje não é diferente, pois escrevo pra mim mesma, para desabafar comigo mesma. Esta aí um ponto positivo da solidão: voce pode fazer várias coisas sem ser interrompido, sem ser julgado, sem ninguém ver. Mas e quando voce acaba de escrever? É claro, voce se sente mais leve, não posso negar, porém chega o dia seguinte e começa tudo de novo. Os mesmos pensamentos, as mesmas expectativas e bate aquela vontade de escrever de novo, mas quando coloca em prática, não sai uma escrita, já que voce se desgastou com palavras no dia anterior. E isso acontece comigo. Um ciclo, um mundo. Linhas tortas em forma digital. Pertubador ou reconfortante?
Sinto saudades de tantas coisas! Ah, se eu pudesse voltar no tempo... Não tinha todos esses problemas, todo esse desgaste mental e psicológico. Pior que esses desgastes ficam em voce, te prendem e voce quer uma forma de arrancá-los, ou escrevendo ou querendo falar com alguém, mas daí voce decide desabafar e nao te entendem e então voce fica... perdido. Totalmente perdido. Oh, meu deus! NAO TEM NINGUÉM. NIN-GUÉM. ABSOLUTAMENTE NINGUÉM. Você se sente um pouco inútil e sem importância pra ninguém, afinal estão pouco se fodendo pros seus problemas. Então, vai desabafar pra que? Pra ser julgado? Pra jogarem na sua cara o que voce nao consegue fazer? "Deixa de ser fresca!", "Vai viver", "Mexa-se!", "Olha, fulano, ciclano era assim e ficou assim e assado, viu?", "Tem pessoas passando por problemas piores que o seu", "Você é muito nova pra se sentir só", "Você nao tem motivos pra se sentir assim". Frases sem maior motivação, sem maior conforto. As pessoas que voce procura pra desabafar falam isso sem se colocar no seu lugar. Mal sabem que tais palavras machucam tanto, mas tanto... Eu sou incapaz de falar essas coisas. A última coisa que posso fazer é magoar alguém, mas me magoam sem nem pensar. Então choro, choro em silêncio. Às vezes eu nem choro. Só fico com uma certa raiva e inconformidade com tamanha ignorância. Decreto, a partir disso que: não desabafo com mais ninguém. Só eu e eu, eu e meu notebook, eu e a minha escrita. Sem mais.
Estou cansada, desgastada. Só procuro ficar quieta, calada e fingir que nada está acontecendo. Ninguém se importa! Eu coloquei isso na minha cabeça e é verdade. Mas é triste, porque uma companhia é sempre boa, mas não tenho. Infelizmente não.
Só isso.
segunda-feira, 30 de novembro de 2015
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Meu nome é Juliany, 19 anos, estudante de Biblioteconomia do 1º período na UFRJ, mas que ainda tem o sonho de ser formar em Jornalismo, carioca. Amante de livros e apaixonada pela saga A Maldição do Tigre. Gosto de escrever e saber um pouco mais sobre cada assunto. Tímida,introvertida,chocolátra e às vezes tem seus momentos sentimentais. Criei esse blog em 2012, quando eu não tinha nada pra fazer, e acabei aprofundando minha escrita.Não tenho muito o que dizer sobre mim. Então, sejam todos bem-vindos.
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